segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Leite Derramado
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Explicação dos Pássaros

Não Sei Distinguir no Céu as Várias Constelações
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Minha Querida Sputnik
O Senhor Keuner e os Jornais
Herr Keuner begegnete Herrn Wirr, dem Kämpfer gegen die Zeitungen. "Ich bin ein großer Gegner der Zeitungen", sagte Herr Wirr, "ich will keine Zeitungen."
Herr Keuner sagte: "Ich bin ein größerer Gegner der Zeitungen: ich will andere Zeitungen." "Schreiben Sie mir auf einen Zettel", sagte Herr Keuner zu Herrn Wirr, "was Sie verlangen, damit Zeitungen erscheinen können. Denn Zeitungen werden erscheinen. Verlangen Sie aber ein Minimum. Wenn Sie zum Beispiel Bestechliche zuließen, sie zu verfertigen, so wäre es mir lieber, als daß Sie Unbestechliche verlangten, denn ich würde sie dann einfach bestechen, damit sie die Zeitungen verbesserten. Aber selbst wenn Sie Unbestechliche verlangten, so wollen wir doch anfangen, solche zu suchen, und wenn wir keine finden, so wollen wir doch anfangen, welche zu erzeugen. Schreiben Sie auf einen Zettel, wie die Zeitungen sein sollen, und wenn wir eine Ameise finden, die den Zettel billigt, so wollen wir gleich anfangen. Die Ameise wird uns mehr helfen, die Zeitungen zu verbessern, als ein allgemeines Geschrei über die Unverbesserlichkeit der Zeitungen. Eher nämlich wird ein Gebirge durch eine einzige Ameise beseitigt als durch das Gerücht, es sei nicht zu beseitigen."
Wenn die Zeitungen ein Mittel zur Unordnung sind, so sind sie auch ein Mittel zur Ordnung. Gerade Leute wie Herr Wirr bewiesen durch ihre Unzufriedenheit den Wert der Zeitungen. Herr Wirr meint, der heutige Unwert der Zeitungen beschäftige ihn, aber in Wirklichkeit ist es der morgige Wert. Herr Wirr hielt den Menschen für hoch und die Zeitungen für unverbesserbar, Herr Keuner hingegen hielt den Menschen für niedrig und die Zeitungen für verbesserbar. "Alles kann besser werden", sagte Herr Keuner, "außer dem Menschen."
Senhor Keuner e os Jornais
O Senhor Keuner encontrou-se com senhor Wirr, (o tonto?), que lutava contra os jornais. “Eu sou um grande adversário dos Jornais” disse Senhor Wirr, “Eu não quero nenhum jornal”. O Senhor Keuner retrucou: ” Eu sou um grande inimigo dos jornais: Eu quero jornais diferentes”. “Escreva-me aí, num bilhete”, disse o senhor Keuner ao senhor Wirr, quais as suas exigências para que possam existir jornais. Por que de qualquer forma jornais serão publicados. Exija, porém, o mínimo possível. Se pretendes, por exemplo, permitir que corruptos os façam, eu gostaria mais do que se pedisses incorruptíveis, pois assim em poderia simplesmente suborná-los para que melhorassem os jornais. Agora, mesmo que o senhor tenha exigido incorruptíveis, precisamos logo começar a procurá-los, e se não acharmos nenhum, teremos que produzi-los. Escreva aí nesse papel, como os jornais devem ser, e se encontrarmos uma única formiga que aprove este bilhete , então começaremos logo. A formiga certamente nos ajudará muito mais a melhorar os jornais, do que um clamor geral sobre a má qualidade destes. Ou seja, uma formiga tem muito mais chances de remover uma montanha do que uma boataria geral anunciando que a montanha não pode ser removida. Se os jornais são um meio de desordem também podem ser um meio de obter-se ordem. Justamente pessoas como o senhor Wirr provam através de seu descontentamento o valor dos jornais. O senhor Wirr acredita que a inutilidade atual dos jornais lhe ajuda, porém na realidade amanhã esta será a sua utilidade. O Senhor Wirr eleva os homens para o alto e aponta os jornais como incorrigíveis. Senhor Keuner dininui o valor dos homens e aponta os jornais como aperfeiçoáveis. “Tudo pode melhorar”, afirma o senhor Keuner, exceto as pessoas.
Bertolt Brecht
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
O Povo lá de Casa II
O Povo lá de casa continua em grande movimentação. Minha filha mudou para Porto Alegre, só aparece nos fins de semana e eu quase morro de saudade. As vezes tenho a impressão que o meu filho também se mudou e deixou uma espécie de clone digital no seu lugar. Este raramente fala e quando o faz usa uma espécie de linguagem pouco inteligível: uma mistura de português, grunhidos e inglês com frases ainda preenchidas por palavras como print, owna, x-1, boot, baites, ddr, bridge, mesada acabou e outras mais estranhas. A Denise, minha companheira há 26 anos, está preparando sua festa de aniversário e transformou-se numa fábrica de docinhos, brigadeiros e branquinhos ( eu adoro estes) e o cheiro de coco queimado passeia pela casa, espia pelos cantos até me envolver de maneira irresistível e quando dou por mim estou sendo expulso da cozinha: - Só na festa! Que remédio: Voltei ao povo lá de casa. Faz tempo que não encontro a turma do telhado. O casal de gambás que mora na parte de cima da nossa casa anda sumido. Preciso investigar isso numa outra hora.
Depois que a gata Carinhosa morreu, meus gatos ficaram reduzidos a dois: O Mingau e o Gatinho, ambos “felinos-obesus da familha dos dorminhocosauros”. Nesta época do ano assumem seus postos nas poltronas da sala da Tv e dali só saem para atender suas necessidades mais prementes e eventualmente para trocar de lugar um com o outro. Deve ser algum ritual secreto que só eles conhecem. Também tem a turma da caixa de correspondência. Minhas contas ficam totalmente furadas e comidas por tatuzinhos-de-jardim (Armadillidium vulgare da superfamília das Oniscoideas) e já viraram atração das funcionárias das agências onde costumo efetuar meus pagamentos.
Quando tenho sorte, eles comem grande parte da conta e deixam o código de barras, assim, consigo pagá-las sem precisar solicitar segunda via. Hoje quando abri a caixa da correspondência fiquei aliviado ao constatar que a conta telefônica ainda estava praticamente intacta. Em compensação ao lado estava uma carta semi destroçada e só consegui ver um pedaço de logotipo oficial e o remetente “Emilia Fernandes”. Os amados tatuzinhos prestaram-me um grande favor . Devolvi o que restou da carta ao interior da caixa, fechei a portinha e fiquei ali pensando se não seria possível fomentar o aumento da população de tatuzinhos, afinal estamos iniciando um ano de eleições e não faltará comida para eles. Melhor: uma infestação de tatuzinhos poderia salvar toda a população das frases prontas e discursos vazios deste tipo de correspondência. Por outro lado, já que eles gostaram de comer a carta da Emilia, que tal se enviássemos uma caixa de tatuzinhos para a casa dela, será que eles não comeriam a própria Emilia? Opa. Aí já é outra história.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
55.ª Feira do Livro de Porto Alegre

Há cinquenta e cinco anos que a feira do livro de Porto Alegre está na praça da Alfândega. O Lema dos fundadores era: “Se o povo não vem à livraria, vamos levar a livraria ao povo.” Quantos eventos resistem por cinquenta e cinco anos com a vitalidade da Feira do Livro de Porto Alegre? A feira do livro teve pleno êxito em meio século de edições e foi além: Hoje, os leitores que transitam na feira, em sua maior parte foram formados pela feira pois cresceram conhecendo o hábito da leitura ainda pequenos e conduzidos pelas mãos dos pais ou dos professores. Vindos de todos os cantos do Rio Grande, percorrem os corredores da praça entre livros e atrações culturais gratuitas, nutrindo-se de cultura e formando um pensamento crítico, livre e independente, além de movimentar uma grande engrenagem de geração de renda, tanto para grandes empresas, editoras, agências e livrarias como para pequenos livreiros, editores independentes, atores, músicos, artistas, administradores e tantos outros profissionais das mais diversas áreas. Todo esse povo na rua, livre, inteligente, buscando conhecimento, está se tornando incômodo para algumas pessoas.
Alguns já começam a dizer: -“Vão para o Shoping, lá é mais gostoso, tem ar condicionado, não chove, não tem assalto.” Outros dizem: -“Comprem pela internet, o desconto é o mesmo e não precisa sair de casa.” Há aqueles ainda que apressam-se a procurar números, muitas vezes duvidosos, e anunciam: - Viram, a feira do livro vendeu menos que no ano passado! No fundo o que lhes incomoda mesmo é não ter controle sobre este povo que lê.
A feira do livro é a vitrine perfeita para o lançamento de autores iniciantes e pequenas editoras cujas obras muitas vezes sequer seriam aceitas em grandes redes de livrarias. Na feira, autores e editores consagrados lançam suas obras com vigor e colhem resultados imediatos com sua inserção no mercado editorial convencional. A feira do livro muitas vezes é o ponto de partida para livreiros grandes ou pequenos buscarem novos clientes e aumentarem a rotatividade de seus estoques.
Nos balaios de ofertas da feira encontram-se Kant, Platão, Rubem Fonseca, Mann, Veríssimo, Nietzsche, Borges, Kafka, Jorge Amado, Machado de Assis e centenas de grandes autores por quatro, cinco ou dez reais, e todos os livros expostos são vendidos com descontos e não apenas os que “alguns” querem que sejam lidos. A fórmula da feira do livro de Porto Alegre é perfeita: Leitores, livreiros, editores, todos ganham seu quinhão. Tem gente que não suporta isso. Essa profusão de cultura na praça, essa dinâmica democrática, certamente são entraves intransponíveis para os projetos desses aspirantes a déspota e suas idéias de nos transformar numa boiada feliz e facilmente controlável.
Resistiremos sim!
Sem ciência, preferimos crer na mentira alheia do que em nossa própria realidade
Aqui comigo e em algumas conversas mentais com minha gata, eu nutria uma espécie de esperança de que mais cedo ou mais tarde os e...
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Esta pérola eu encontrei no blog O LIVREIRO, onde entre outros deliciosos textos, o autor conta a história de uma brasileira numa livraria e...
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Ando preocupado com a quantidade de coisas que ultimamente estão a cair por todos os lados. Tenho a impressão de que estamos vivendo uma gr...

